Por anos eu conduzi meu exercito a lutar por uma única causa específica. Lutamos por um alguém que precisava do nosso apoio, da nossa presença e do nosso cuidado. Fizemos um juramento de lutarmos até o fim dos tempos. Mas esse foi um juramento meu! Foi minha escolha! E eu persuadi todo o exército a lutar comigo.
Cada muro destruído, precisa ser reconstruído. Cada batalha que é vencida, precisa ser comemorada. Cada parte que é perdida precisa ser velada e enterrada e que após isso, descanse em paz.
Analisando a causa e tudo o que foi conquistado, vencido, perdido, enterrado vejo que foi só isso! O esforço foi só meu. Sinto que lutei para conquistar uma nação onde meu Rei não construiu nem plantou nada. Ao invés disso, se abrigou no forte que construí e dormiu enquanto estava frente a frente com o inimigo. Sentado no topo mais alto do nosso mundo eu observei a terra devastada e chorei ao ver que do meu exercito restou apenas eu. Chorei por ver que no forte, não dormia apenas meu Rei, mas o inimigo também. Chorei por ver que minha causa era uma mentira, uma armação, um jogo. Chorei por ver que lutei com todas as forças para que o castelo fosse onde agora estava sentado, mas vi que meu Rei sempre preferiu a frágil cabana no ponto mais baixo do vale. Chorei por ter que deixar tudo o que foi conquistado para traz.
Por mais que escutemos de nossos companheiros que fizemos o certo, que somos nobres, temos caráter, somos corretos. Esse reconhecimento não vem daquele pelo qual lutamos e isso é frustrante. Fragmentamos nossas almas e doamos pedaços dela em fortalecimento ao próximo e vejo que estes fragmentos foram atirados ao fogo, mas entendo o porquê: O injusto não consegue conviver com o justo. É insuportável para ele e não podemos fazer nada a respeito. Lutamos para tentar tornar o injusto, justo, mas, este precisa querer isso.
Até ontem eu chorava por tudo isso. Até ontem eu chorava por ter falhado. Até ontem eu chorava ser forçado a desistir. Até ontem eu sofria pela mentira. Hoje eu sei da verdade. Hoje eu entendi que não posso esperar o reconhecimento de um injusto, pois de nada vale esse sentimento e provavelmente ele também será uma mentira. Hoje entendi que as batalhas em que lutei me fizeram ser o grande homem que eu sou e entendi também que eu é que tenho que reconhecer isso e não os outros. Hoje entendo que por mais que algumas vezes sofremos por nos doar, só assim provamos para nós mesmos que somos capazes de amar e entendi que nossa alma é reciclável. Hoje constato que ainda me sustento em pé no lugar mais alto e com a cabeça erguida e finalmente entendi que nobre mesmo é desistir da guerra quando a causa não vale mais a pena.
Hoje eu virei às costas para o vale. Tenho um castelo a construir! E o lugar onde estava sentado chorando nem é tão alto assim. Daqui ainda não vejo o mundo da maneira que mereço vê-lo todos os dias.
DANIEL ORNELLAS - 20/07/2011
Hoje eu virei às costas para o vale. Tenho um castelo a construir! E o lugar onde estava sentado chorando nem é tão alto assim. Daqui ainda não vejo o mundo da maneira que mereço vê-lo todos os dias.
DANIEL ORNELLAS - 20/07/2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário